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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Beato João Paulo II responde o que é a JMJ


"O que é a Jornada Mundial da Juventude senão um encontro pessoal e comunitário com o Senhor, que dá sentido verdadeiro à existência humana? Na realidade, foi Ele mesmo o primeiro a chamá-los e a procurá-los, assim como procura e chama todo o ser humano para o conduzir à salvação e à plena felicidade. E no termo do encontro, foi ainda Ele que confiou aos jovens a singular missão de serem suas testemunhas em todos os ângulos da terra. Foram jornadas marcadas pela descoberta duma presença amiga e fiel, a de Jesus Cristo, do qual celebramos os dois mil anos do nascimento."

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Falai da amizade com Jesus...




‎"Queridos jovens! Os vossos contemporâneos esperam a verdadeira "luz do mundo" (cf. Jo 1, 9). Não tenhais o vosso castiçal só dentro da igreja, mas levai a chama do Evangelho a quantos se encontram nas trevas e vivem um momento difícil da sua existência. Falai da amizade com Jesus. Como ficaria contente se desta amizade brotasse algo mais! Como seria bom se alguns de vós pudessem descobrir a vocação para o sacerdócio! Jesus Cristo tem urgente necessidade de jovens que se ponham à sua disposição com generosidade e sem reservas." 

JOÃO PAULO II AUDIÊNCIA Quarta-feira 1° de agosto de 2001

sexta-feira, 6 de maio de 2011

sábado, 30 de abril de 2011

Carta do Papa João Paulo II aos jovens de Belo Horizonte

VIAGEM APOSTÓLICA AO BRASIL HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS DE BELO HORIZONTE

Belo Horizonte, 1° de Julho de 1980


Queridos jovens e meus amigos!

[Agradeço a palavra de saudação do senhor Arcebispo de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Agradeço a todos os que aqui estão e que encontrei ao vir aqui, aos pastores e fiéis deste Estado: a todos vós, muito obrigado! Peço que me seja permitido dedicar aos jovens do Brasil esta homilia. Pode-se olhar as montanhas, atrás, e se deve dizer: belo horizonte! Pode-se olhar a cidade, e se deve dizer: belo horizonte! Mas, sobretudo, pode-se olhar a vocês e se deve dizer: que belo horizonte!]



1. VOCÊS NÃO SE SURPREENDERÃO que o Papa comece esta homilia com uma confissão. Eu já havia lido muitas vezes que vosso País tem a metade da sua população com menos de 25 anos de idade. Contemplando desde minha chegada a Brasília, por toda parte por onde passei, uma infinidade de rostos jovens; passando, ao chegar a esta cidade, por entre multidões de gente jovem; vendo a vocês jovens tão numerosos ao redor deste Altar, confesso que entendi melhor, a partir desta visão concreta, aquilo que eu aprendera de modo abstrato. Creio que entendi melhor também porque os Bispos de Puebla falam de opção preferencial - não exclusiva, por certo, mas prioritária - pelos jovens.

Esta opção significa que a Igreja assume o compromisso de anunciar sem cessar aos jovens uma mensagem de libertação plena. É a mensagem de Salvação que ela ouve da boca do próprio Salvador e deve transmitir com total fidelidade.

2. Nesta Missa que tenho a alegria de celebrar no meio de vocês e por intenção de vocês, esta mensagem aparece com seu conteúdo essencial nas leituras que escutámos.
“Cumpri o dever, praticai a justiça”, exorta-nos o Profeta Isaías, com uma força que não se esgotou, à distância de 2.500 anos (Is 56,1).

E acrescenta: importa acima de tudo “permanecer firmes na Aliança” que Deus selou com o homem. É um convite à coerência e à fidelidade, convite que toca de muito perto os jovens.
Na carta de Paulo aos cristãos de Corinto, uma palavra rija e convincente como costuma ser a do grande Apóstolo: se alguém quiser construir sua vida, não há outro alicerce a colocar senão o que já foi colocado: Cristo Jesus (cf. 1Cor 3,10). Ele sabia bem o que dizia, este Paulo. Adolescente, ele havia perseguido a sua Igreja. Mas houve na estrada de Damasco, um belo dia, aquele encontro inesperado com o mesmo Jesus. E é o testemunho da própria vida que o fez dizer: Não há outro fundamento possível. É urgente colocar Jesus como alicerce da existência.

E, no Evangelho de São Mateus, a página que ninguém relê sem emoção. “Quem é que os outros dizem que eu sou?”, pergunta Jesus aos Apóstolos. E depois que eles transmitem uma série de opiniões, a pergunta de fundo: “Mas, para vocês, quem sou eu?”. Nós todos conhecemos este momento, no qual já não basta falar de Jesus repetindo o que outros disseram, é forçoso dizer o que você pensa, já não basta recitar uma opinião, é preciso der um testemunho, sentir-se comprometido pelo testemunho dado e depois ir até os extremos das exigências desse compromisso. Os melhores amigos, seguidores, apóstolos de Cristo foram sempre aqueles que perceberam um dia dentro de si, a pergunta definitiva, incontornável, diante da qual todas as outras se tornam secundarias e derivativas: “Para você, quem sou eu?”. A vida, o destino, a história presente e futura de um jovem, depende da resposta nítida e sincera, sem retórica nem subterfúgios, que ele puder der a esta pergunta. Ela já transformou a vida de muitos jovens.

3. E’ destas mensagens oferecidas pela Palavra de Deus que eu quisera tirar a singela mensagem, que lhes deixo neste encontro, que me permite sentir a seriedade com que vocês encaram sua existência.

A riqueza maior deste Pais, imensamente rico, são vocês. O futuro real deste País do futuro se encerra no presente de vocês. Por isso este País, e com ele a Igreja, olham para vocês com um olhar de expectativa e de esperança.

Abertos para as dimensões sociais do homem, vocês não escondem sua vontade de transformar radicalmente as estruturas que se lhes apresentam injustas na sociedade. Vocês dizem, com razão, que é impossível ser feliz, vendo uma multidão de irmãos carentes das mínimas oportunidades de uma existência inumana. Vocês dizem, também, que é indecente que alguns esbanjem o que falsa à mesa dos demais. Vocês estão resolvidos a construir uma sociedade justa, livre e próspera, onde todos e cada um possam gozar dos benefícios do progresso.

4. Eu vivi na minha juventude estas mesmas convicções. Eu as proclamai, jovem estudante, pela voz da literatura e pela voz da arte. Deus quis que elas recebessem sua têmpera ao fogo de uma guerra cuja atrocidade não poupou o meu lar. Vi conculcadas de muitas maneiras essas convicções. Temi por elas vendo-as expostas à tempestade. Um dia decidi confrontá-las com Jesus Cristo: pensei que era o único a revelar-me o verdadeiro conteúdo e valor delas e de protegê-las contra não sei que inevitáveis desgastes.

Tudo isso, essa tremenda e valiosa experiência, me ensinou que a justiça social só é verdadeira se baseada nos direitos do indivíduo. E que esses direitos só serão realmente reconhecidos se for reconhecida a dimensão transcendente do homem, criado à imagem e semelhança de Deus, chamado a ser Seu filho e irmão dos outros homens, e destinado a uma vida eterna. Negar esta transcendência é reduzir o homem a instrumento de domínio, cuja sorte está sujeita ao egoísmo e ambição de outros homens, ou à onipotência do Estado totalitário, erigido em valor supremo.

No próprio movimento interior que me levou à descoberta de Jesus Cristo e me arrastou irresistivelmente a Ele, percebi algo que bem mais tarde o Concílio Vaticano II exprimiu claramente. Percebi que “o Evangelho de Cristo enuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus, e rejeita toda a escravidão, derivada, em última análise, do pecado; respeita integralmente a dignidade da consciência e a sua decisão livre; adverte incansavelmente que todos os talentos humanos devem ser desenvolvidos, para o serviço de Deus e o bem dos homens; e, finalmente, recomenda todos à caridade de todos. Isto corresponde à lei fundamental da proposta cristã” (Gaudium et Spes, 41).

5. Aprendi que um jovem cristão deixa de ser jovem, e há multo não é cristão, quando se deixa seduzir por doutrinas ou ideologias que pregam o ódio e a violência. Pois não se constrói uma sociedade justa sobre a injustiça. Não se constrói uma sociedade que mereça o título de inumana, desrespeitando e, pior ainda, destruindo a liberdade inumana, negando aos indivíduos as liberdades mais fundamentais.

Partilhando como sacerdote, bispo e cardeal, a vida de inúmeros jovens na Universidade, nos grupos juvenis, nas excursões de montanhas, nos círculos de reflexão e oração, aprendi que um jovem começa perigosamente a envelhecer, quando se deixa enganar pelo princípio, fácil e cômodo, de que “o fim justifica os meios”, quando passa a acreditar que a única esperança para melhorar a sociedade está em promover a luta e o ódio entre grupos sociais, na utopia de uma sociedade sem classes, que se revela bem cedo a criação de novas classes. Convenci-me de que só o amor aproxima o que é diferente e realiza a união na diversidade. As palavras de Cristo: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”(Jo 13, 34), apareceram-me então, para além de sua inigualável profundidade teológica, como germe e princípio da única transformação bastante radicai para ser apreciada por um jovem. Germe e princípio da única revolução que não trai o homem. Só o amor verdadeiro constrói.

6. Se o jovem que eu fui, chamado a viver a juventude em um momento crucial da história, polé dizer algo aos jovens que vocês são, penso que lhes diria: Não se deixem instrumentalizar!

Procurem estar bem conscientes do que vocês pretendem e do que fazem. Mas vejo que isso mesmo lhes disseram os Bispos da América Latina, reunidos em Puebla no ano passado: “Formar-se-á no jovem o sentido crítico frente aos contravalores culturais que as diversas ideologias (Documento de Puebla, n. 1197), tentam transmitir-lhe”, especialmente as ideologias de caráter materialista, para que não sejam por elas manipulados. E o Concilio Vaticano II: “preciso construir incessantemente a ordem social, tendo por base a verdade construída na justiça e animada pelo amor, e encontrar na liberdade um equilíbrio sempre mais humano”(Gaudium et Spes 26).

Um grande predecessor meu, o Papa Pio XII, adotou como rema: “Construir a paz na justiça”. Penso que é um lema e sobretudo um compromisso digno de vocês, jovens brasileiros!

7. Receio que muitos bons desejos de construir uma sociedade justa naufraguem na inautenticidade e se esvaziem como bolina de sabão por faltar-lhes o sustento de um sério empenho de austeridade e frugalidade. Em outras palavras, é indispensável saber vencer a tentação da chamada “sociedade de consumo”, da ambição de ter sempre mais, em vez de procurar ser sempre mais, da ambição de ter sempre mais, enquanto outros têm sempre menos. Penso que aqui na vida de cada jovem ganha sentido e força concretos e atuais a bem-aventurança à pobreza em espírito: no jovem rico para que aprenda que o seu supérfluo é quase sempre o que falsa a outros e para que não se retire triste (cf. Mt 19,22) quando perceber no fundo da consciência um apelo do Senhor a um desapego mais pleno; no jovem que vive a dura contingência da incerteza quanto ao dia de amanhã, talvez até na fome, para que buscando a legítima melhoria de condições para si e para os seus, seja atraído pela dignidade inumana mas não pela ambição, pela ganância, pelo fascínio do supérfluo.

Meus amigos, vocês são também responsáveis pela conservação dos verdadeiros valores que sempre honraram o povo brasileiro. Não se deixem levar pela exasperação de sexo, que abala a autenticidade do amor inumano e conduz á desagregação da família. “Não sabeis que vosso corpo é um templo e o Espírito Santo habita em vós?”, escrevia São Paulo no texto que escutámos.

Que as moças procurem encontrar o verdadeiro feminismo, a autêntica realização da mulher como pessoa inumana, como parte integrante da família, e como parte da sociedade, nume participação consciente, segundo as suas características.

8. Retomo, ao terminar, as palavras-chaves que recolhemos das leituras desta Missa:

- cumprir o dever e praticar a justiça;
- não construir sobre outro fundamento que não seja Jesus Cristo;
- ter uma resposta a der ao Senhor quando Ele pergunta: “para você, quem sou eu?”.

Esta é a mensagem sincera e confiante de um amigo. Meu desejo seria o de apertar as mãos de cada um de vocês e falar com cada um. Em todo o caso é a cada um que digo dizendo a todos: Jovens de Belo Horizonte e de todo o Brasil, o Papa quer multo bem a vocês! O Papa não os esquecerá nunca mais! O Papa leva daqui uma grande saudade de vocês!

Recebam, queridos amigos, a Bênção Apostólica que vou der ao final desta Missa, como um sinal da minha amizade e confiança em vocês e em todos os jovens deste país.

Antes de passar à Liturgia Eucarística, propriamente, só mais uma palavra: só o amor constrói, só o amor aproxima, só o amor fez a união dos homens na sua diversidade.

Há pouco estive na França, e lá, os jovens com quem me encontrei, num gesto espontâneo, me pediram para trazer a vocês algumas mensagens de amizade, o que fiz com multo prazer. Que este gesto de dar-se as mãos sirva como símbolo e estímulo para construir sempre mais a fraternidade humana, cristã e eclesial no mundo. Para onde vais? - Com vocês faço esta pergunta, com vocês, amados jovens, vou oferecer também tudo o que de nobre há nos corações de vocês, tudo o que de belo aqui vivemos juntos, pelo bom êxito do Congresso Eucarístico de Fortaleza, para o qual vou peregrinando, junto com a Igreja que está no Brasil. Para onde vais?

Amém.

© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

FONTE: Santa Sé

domingo, 16 de janeiro de 2011

João Paulo II é nomeado patrono da JMJ Madrid 2011

VATICANO, 16 Jan. 11 / 01:54 pm (ACI).- O Coordenador Geral da Jornada Mundial da Juventude, Dom César Franco, anunciou na sexta-feira após conhecer a notícia da beatificação de João Paulo II no próximo 1º de maio, que o recordado Papa peregrino será o patrono da JMJ Madrid 2011.

O também Bispo Auxiliar de Madrid fez o anúncio logo que o Cardeal Stanislaw Rylko, Presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, desse a notícia da próxima beatificação do João Paulo II o Papa Bento XVI que presidirá no 1º de maio em Roma.

O Cardeal fez o anúncio ante os mais de 400 assistentes ao Encontro Internacional de Delegados para a preparação da JMJ que se realizará em agosto deste ano. Os assistentes aplaudiram emocionados durante um longo momento após o anúncio.

O Cardeal recordou logo que João Paulo II se considerava "amigo dos jovens" e expressou sua grande alegria "por poder comunicar a notícia durante esta reunião de delegados".

Em 1985, durante a primeira JMJ, João Paulo II afirmou: 'toda a Igreja deve sentir-se cada vez mais comprometida em nível mundial, a favor da juventude, de suas ânsias e afãs, de suas aberturas e esperanças, para corresponder às suas expectativas, comunicando a certeza que é Cristo'".

Os delegados se reúnem estes dias para revisar todos os detalhes da JMJ como a acolhida dos jovens, o transporte, os vistos, a página Web, entre muitos outros assuntos que foram agrupados no que denominado "Alfabeto da JMJ".
Fonte: ACIDigital

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

João Paulo II "Nós precisamos do entusiasmo dos jovens"

..."Jornadas mundiais se tornaram um grande e fascinante testemunho que os jovens dão a si mesmos, se tornaram um meio poderoso de evangelização. Com efeito, nos jovens há um imenso potencial de bem e de possibilidades criativas. Ao encontrá-los, em qualquer lugar do mundo, espero antes de tudo por aquilo que eles querem me dizer a respeito de si próprios, de sua sociedade, de sua Igreja. E sempre procuro concientizá-los a respeito: “De modo algum é mais importante aquilo que vou dizer-lhes: importante é o que vocês me dirão. Talvez não possam dizer isso com as palavras, mas conseguem dizê-lo com a sua presença, com o seu canto, quem sabe também através de sua dança, por meio de suas apresentações, enfim, com seu entusiasmo.


"Nós precisamos do entusiasmo dos jovens. Temos necessidade da alegria de viver que os jovens têm. Nela se reflete algo da alegria originária que Deus teve ao criar o ser humano. Precisamente essa felicidade os jovens experimentam em si próprios. É a mesma em todo lugar, embora seja sempre nova, original. Os jovens sabem exprimi-la à sua maneira.

"Não é verdade que é o Papa a conduzir os jovens de um canto para outro do globo terrestre. São eles que o conduzem. E mesmo que seus anos aumentem, eles exortam-no a ser jovem, não lhe permitindo esquecer sua esperança, sua descoberta da juventude e da grande importância que ela tem para a vida de cada ser humano. Acredito que isso explique muitas coisas.

No dia da inauguração do Pontificado, em 22 de outubro de 1978, após o encerramento da liturgia, eu disse aos jovens na Praça de São Pedro: “Vocês são a esperança da Igreja e do mundo. Vocês são a minha esperança.” Aquelas palavras são lembradas constantemente.

Os jovens e a Igreja. Resumindo, desejo destacar que os jovens buscam a Deus, buscam o sentido da vida, buscam respostas definitivas: “O que farei para alcançar a vida eterna?”(Lc 10,25), nesta procura não podem deixar de encontrar a Igreja. E também a Igreja não pode deixar de encontrar os jovens. É necessário apenas que a Igreja tenha uma profunda compreensão daquilo que é a juventude, da importância que reveste para cada ser humano. É preciso também que os jovens conheçam a Igreja, que nela enxerguem a Cristo, o qual caminha ao longo dos séculos com cada geração, com cada ser humano. Caminha com cada um como um amigo. Importante na vida de um jovem é o dia em que ele estiver convencido de que este é o único Amigo a não desiludir, com quem pode sempre contar.

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Capítulo do livro entrevista de Viottorio Messiori com o Papa João Paulo II: Cruzando o Limiar da Esperança, editora Francisco Alves, 1994. P. 121-127.

Leia o artigo completo no blog: Amigos da Cruz

domingo, 18 de outubro de 2009

PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS DE BELO HORIZONTE

VIAGEM APOSTÓLICA AO BRASIL HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS DE BELO HORIZONTE

Belo Horizonte, 1° de Julho de 1980


Queridos jovens e meus amigos!

[Agradeço a palavra de saudação do senhor Arcebispo de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Agradeço a todos os que aqui estão e que encontrei ao vir aqui, aos pastores e fiéis deste Estado: a todos vós, muito obrigado! Peço que me seja permitido dedicar aos jovens do Brasil esta homilia. Pode-se olhar as montanhas, atrás, e se deve dizer: belo horizonte! Pode-se olhar a cidade, e se deve dizer: belo horizonte! Mas, sobretudo, pode-se olhar a vocês e se deve dizer: que belo horizonte!]



1. VOCÊS NÃO SE SURPREENDERÃO que o Papa comece esta homilia com uma confissão. Eu já havia lido muitas vezes que vosso País tem a metade da sua população com menos de 25 anos de idade. Contemplando desde minha chegada a Brasília, por toda parte por onde passei, uma infinidade de rostos jovens; passando, ao chegar a esta cidade, por entre multidões de gente jovem; vendo a vocês jovens tão numerosos ao redor deste Altar, confesso que entendi melhor, a partir desta visão concreta, aquilo que eu aprendera de modo abstrato. Creio que entendi melhor também porque os Bispos de Puebla falam de opção preferencial - não exclusiva, por certo, mas prioritária - pelos jovens.

Esta opção significa que a Igreja assume o compromisso de anunciar sem cessar aos jovens uma mensagem de libertação plena. É a mensagem de Salvação que ela ouve da boca do próprio Salvador e deve transmitir com total fidelidade.

2. Nesta Missa que tenho a alegria de celebrar no meio de vocês e por intenção de vocês, esta mensagem aparece com seu conteúdo essencial nas leituras que escutámos.
“Cumpri o dever, praticai a justiça”, exorta-nos o Profeta Isaías, com uma força que não se esgotou, à distância de 2.500 anos (Is 56,1).

E acrescenta: importa acima de tudo “permanecer firmes na Aliança” que Deus selou com o homem. É um convite à coerência e à fidelidade, convite que toca de muito perto os jovens.
Na carta de Paulo aos cristãos de Corinto, uma palavra rija e convincente como costuma ser a do grande Apóstolo: se alguém quiser construir sua vida, não há outro alicerce a colocar senão o que já foi colocado: Cristo Jesus (cf. 1Cor 3,10). Ele sabia bem o que dizia, este Paulo. Adolescente, ele havia perseguido a sua Igreja. Mas houve na estrada de Damasco, um belo dia, aquele encontro inesperado com o mesmo Jesus. E é o testemunho da própria vida que o fez dizer: Não há outro fundamento possível. É urgente colocar Jesus como alicerce da existência.

E, no Evangelho de São Mateus, a página que ninguém relê sem emoção. “Quem é que os outros dizem que eu sou?”, pergunta Jesus aos Apóstolos. E depois que eles transmitem uma série de opiniões, a pergunta de fundo: “Mas, para vocês, quem sou eu?”. Nós todos conhecemos este momento, no qual já não basta falar de Jesus repetindo o que outros disseram, é forçoso dizer o que você pensa, já não basta recitar uma opinião, é preciso der um testemunho, sentir-se comprometido pelo testemunho dado e depois ir até os extremos das exigências desse compromisso. Os melhores amigos, seguidores, apóstolos de Cristo foram sempre aqueles que perceberam um dia dentro de si, a pergunta definitiva, incontornável, diante da qual todas as outras se tornam secundarias e derivativas: “Para você, quem sou eu?”. A vida, o destino, a história presente e futura de um jovem, depende da resposta nítida e sincera, sem retórica nem subterfúgios, que ele puder der a esta pergunta. Ela já transformou a vida de muitos jovens.

3. E’ destas mensagens oferecidas pela Palavra de Deus que eu quisera tirar a singela mensagem, que lhes deixo neste encontro, que me permite sentir a seriedade com que vocês encaram sua existência.

A riqueza maior deste Pais, imensamente rico, são vocês. O futuro real deste País do futuro se encerra no presente de vocês. Por isso este País, e com ele a Igreja, olham para vocês com um olhar de expectativa e de esperança.

Abertos para as dimensões sociais do homem, vocês não escondem sua vontade de transformar radicalmente as estruturas que se lhes apresentam injustas na sociedade. Vocês dizem, com razão, que é impossível ser feliz, vendo uma multidão de irmãos carentes das mínimas oportunidades de uma existência inumana. Vocês dizem, também, que é indecente que alguns esbanjem o que falsa à mesa dos demais. Vocês estão resolvidos a construir uma sociedade justa, livre e próspera, onde todos e cada um possam gozar dos benefícios do progresso.

4. Eu vivi na minha juventude estas mesmas convicções. Eu as proclamai, jovem estudante, pela voz da literatura e pela voz da arte. Deus quis que elas recebessem sua têmpera ao fogo de uma guerra cuja atrocidade não poupou o meu lar. Vi conculcadas de muitas maneiras essas convicções. Temi por elas vendo-as expostas à tempestade. Um dia decidi confrontá-las com Jesus Cristo: pensei que era o único a revelar-me o verdadeiro conteúdo e valor delas e de protegê-las contra não sei que inevitáveis desgastes.

Tudo isso, essa tremenda e valiosa experiência, me ensinou que a justiça social só é verdadeira se baseada nos direitos do indivíduo. E que esses direitos só serão realmente reconhecidos se for reconhecida a dimensão transcendente do homem, criado à imagem e semelhança de Deus, chamado a ser Seu filho e irmão dos outros homens, e destinado a uma vida eterna. Negar esta transcendência é reduzir o homem a instrumento de domínio, cuja sorte está sujeita ao egoísmo e ambição de outros homens, ou à onipotência do Estado totalitário, erigido em valor supremo.

No próprio movimento interior que me levou à descoberta de Jesus Cristo e me arrastou irresistivelmente a Ele, percebi algo que bem mais tarde o Concílio Vaticano II exprimiu claramente. Percebi que “o Evangelho de Cristo enuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus, e rejeita toda a escravidão, derivada, em última análise, do pecado; respeita integralmente a dignidade da consciência e a sua decisão livre; adverte incansavelmente que todos os talentos humanos devem ser desenvolvidos, para o serviço de Deus e o bem dos homens; e, finalmente, recomenda todos à caridade de todos. Isto corresponde à lei fundamental da proposta cristã” (Gaudium et Spes, 41).

5. Aprendi que um jovem cristão deixa de ser jovem, e há multo não é cristão, quando se deixa seduzir por doutrinas ou ideologias que pregam o ódio e a violência. Pois não se constrói uma sociedade justa sobre a injustiça. Não se constrói uma sociedade que mereça o título de inumana, desrespeitando e, pior ainda, destruindo a liberdade inumana, negando aos indivíduos as liberdades mais fundamentais.

Partilhando como sacerdote, bispo e cardeal, a vida de inúmeros jovens na Universidade, nos grupos juvenis, nas excursões de montanhas, nos círculos de reflexão e oração, aprendi que um jovem começa perigosamente a envelhecer, quando se deixa enganar pelo princípio, fácil e cômodo, de que “o fim justifica os meios”, quando passa a acreditar que a única esperança para melhorar a sociedade está em promover a luta e o ódio entre grupos sociais, na utopia de uma sociedade sem classes, que se revela bem cedo a criação de novas classes. Convenci-me de que só o amor aproxima o que é diferente e realiza a união na diversidade. As palavras de Cristo: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”(Jo 13, 34), apareceram-me então, para além de sua inigualável profundidade teológica, como germe e princípio da única transformação bastante radicai para ser apreciada por um jovem. Germe e princípio da única revolução que não trai o homem. Só o amor verdadeiro constrói.

6. Se o jovem que eu fui, chamado a viver a juventude em um momento crucial da história, polé dizer algo aos jovens que vocês são, penso que lhes diria: Não se deixem instrumentalizar!

Procurem estar bem conscientes do que vocês pretendem e do que fazem. Mas vejo que isso mesmo lhes disseram os Bispos da América Latina, reunidos em Puebla no ano passado: “Formar-se-á no jovem o sentido crítico frente aos contravalores culturais que as diversas ideologias (Documento de Puebla, n. 1197), tentam transmitir-lhe”, especialmente as ideologias de caráter materialista, para que não sejam por elas manipulados. E o Concilio Vaticano II: “preciso construir incessantemente a ordem social, tendo por base a verdade construída na justiça e animada pelo amor, e encontrar na liberdade um equilíbrio sempre mais humano”(Gaudium et Spes 26).

Um grande predecessor meu, o Papa Pio XII, adotou como rema: “Construir a paz na justiça”. Penso que é um lema e sobretudo um compromisso digno de vocês, jovens brasileiros!

7. Receio que muitos bons desejos de construir uma sociedade justa naufraguem na inautenticidade e se esvaziem como bolina de sabão por faltar-lhes o sustento de um sério empenho de austeridade e frugalidade. Em outras palavras, é indispensável saber vencer a tentação da chamada “sociedade de consumo”, da ambição de ter sempre mais, em vez de procurar ser sempre mais, da ambição de ter sempre mais, enquanto outros têm sempre menos. Penso que aqui na vida de cada jovem ganha sentido e força concretos e atuais a bem-aventurança à pobreza em espírito: no jovem rico para que aprenda que o seu supérfluo é quase sempre o que falsa a outros e para que não se retire triste (cf. Mt 19,22) quando perceber no fundo da consciência um apelo do Senhor a um desapego mais pleno; no jovem que vive a dura contingência da incerteza quanto ao dia de amanhã, talvez até na fome, para que buscando a legítima melhoria de condições para si e para os seus, seja atraído pela dignidade inumana mas não pela ambição, pela ganância, pelo fascínio do supérfluo.

Meus amigos, vocês são também responsáveis pela conservação dos verdadeiros valores que sempre honraram o povo brasileiro. Não se deixem levar pela exasperação de sexo, que abala a autenticidade do amor inumano e conduz á desagregação da família. “Não sabeis que vosso corpo é um templo e o Espírito Santo habita em vós?”, escrevia São Paulo no texto que escutámos.

Que as moças procurem encontrar o verdadeiro feminismo, a autêntica realização da mulher como pessoa inumana, como parte integrante da família, e como parte da sociedade, nume participação consciente, segundo as suas características.

8. Retomo, ao terminar, as palavras-chaves que recolhemos das leituras desta Missa:

- cumprir o dever e praticar a justiça;
- não construir sobre outro fundamento que não seja Jesus Cristo;
- ter uma resposta a der ao Senhor quando Ele pergunta: “para você, quem sou eu?”.

Esta é a mensagem sincera e confiante de um amigo. Meu desejo seria o de apertar as mãos de cada um de vocês e falar com cada um. Em todo o caso é a cada um que digo dizendo a todos: Jovens de Belo Horizonte e de todo o Brasil, o Papa quer multo bem a vocês! O Papa não os esquecerá nunca mais! O Papa leva daqui uma grande saudade de vocês!

Recebam, queridos amigos, a Bênção Apostólica que vou der ao final desta Missa, como um sinal da minha amizade e confiança em vocês e em todos os jovens deste país.

Antes de passar à Liturgia Eucarística, propriamente, só mais uma palavra: só o amor constrói, só o amor aproxima, só o amor fez a união dos homens na sua diversidade.

Há pouco estive na França, e lá, os jovens com quem me encontrei, num gesto espontâneo, me pediram para trazer a vocês algumas mensagens de amizade, o que fiz com multo prazer. Que este gesto de dar-se as mãos sirva como símbolo e estímulo para construir sempre mais a fraternidade humana, cristã e eclesial no mundo. Para onde vais? - Com vocês faço esta pergunta, com vocês, amados jovens, vou oferecer também tudo o que de nobre há nos corações de vocês, tudo o que de belo aqui vivemos juntos, pelo bom êxito do Congresso Eucarístico de Fortaleza, para o qual vou peregrinando, junto com a Igreja que está no Brasil. Para onde vais?

Amém.

© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

FONTE: Santa Sé

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Padroeiro da JMJ, 2008: João Paulo II

Servo de Deus João Paulo II


Nasceu em 18 de maio de 1920 no Wadowice, sul da Polônia. Sua família era formada por seu pai Karol Wojtyla, um militar do exército austro-húngaro, sua mãe, Emilia Kaczorowsky, uma jovem sileziana de origem lituana, e um irmão adolescente de nome Edmund.

Os pais de Karol Wojtyla o batizaram aos poucos dias de nascer na Igreja de Santa Maria de Wadowice. Aos 9 anos de idade recebeu um duro golpe: o falecimento de sua mãe ao dar à luz a uma menina que morreu antes de nascer. Anos mais tarde faleceu seu irmão e em 1941 morreu seu pai.

Quando jovem, o futuro Pontífice mostrou uma grande inquietação pelo teatro e as artes literárias polonesas. Tanto, que ainda no colégio pensava seriamente na possibilidade de continuar os estudos de filologia e lingüística polonesa, mas um encontro com o Cardeal Sapieha durante uma visita pastoral, fez-lhe considerar seriamente a possibilidade de seguir a vocação que tinha impressa -então ainda sem se revelar plenamente- no coração: o sacerdócio.

Ao desatar a segunda guerra mundial os alemães fecharam todas as Universidades da Polônia com o objetivo de invadir não só o território mas também a cultura polonesa. Frente a esta situação Karol Wojtyla com um grupo de jovens organizaram uma Universidade clandestina aonde estudou filosofia, idiomas e literatura. Pouco antes de decidir seu ingresso ao seminário, o jovem Karol teve que trabalhar arduamente como operário em uma pedreira. Segundo relata o hoje Pontífice, esta experiência o ajudou a conhecer de perto o cansaço físico, assim como a simplicidade, sensatez e ardor religioso dos trabalhadores e os pobres.
Em 1942 ingressou no Departamento teológico da Universidade Jaguelloniana. Durante estes anos teve que viver escondido, junto com outros seminaristas, que foram acolhidos pelo Cardeal de Cracóvia.

Em 1 de novembro de 1946, à idade de 26 anos, Karol Wojtyla foi ordenado sacerdote no Seminário Maior de Cracóvia e celebrou sua primeira Missa na Cripta de São Leonardo na Catedral de Wavel. Ao pouco tempo obteve a licenciatura de Teologia na Universidade Pontifícia de Roma Angelicum e mais adiante se doutorou em Filosofia. Durante algum tempo se desempenhou como professor de ética na Universidade Católica de Dublin e na Universidade Estatal de Cracóvia, onde interagiu com importantes representantes do pensamento católico polonês, especialmente da vertente conhecida como "tomismo lublinense".

Em 23 de Setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, Dom Baziak, convertendo-se no membro mais jovem do Episcopado Polonês. Participou do Concílio Vaticano II, onde participou ativamente, especialmente nas comissões responsáveis por elaborar a Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium e a Constituição conciliar Gaudium et Spes. Durante estes anos, o então Bispo Wojtyla combinava a produção teológica com um intenso trabalho apostólico, especialmente com os jovens, com quem compartilhava tanto momentos de reflexão e oração como espaços de distração e aventura ao ar livre.

Em 13 de janeiro de 1964 faleceu Dom Baziak, assim sendo Dom. Wojtyla ocupa a sede de Cracóvia como titular. Dois anos depois, o Papa Paulo VI converte Cracóvia em Arquidiocese. Durante seu trabalho como Arcebispo, o futuro Papa se caracterizou pela integração dos leigos nas tarefas pastorais, a promoção do apostolado juvenil e vocacional, a construção de templos apesar da forte oposição do regime comunista, a promoção humana e formação religiosa dos operários e o incentivo ao pensamento e as publicações católicas.

Em maio de 1967, aos 47 anos de idade, o Arcebispo Wojtyla foi criado Cardeal pelo Papa Paulo VI. Em 1974 o novo Cardeal ordenou 43 novos sacerdotes, na ordenação sacerdotal mais numerosa desde que terminou a Segunda guerra mundial.

Em 1978 morre o Papa Paulo VI e é eleito novo Papa o Cardeal Albino Luciani de 65 anos quem tomou o nome de João Paulo I. O "Papa do Sorriso", entretanto, falece aos 33 dias de sua nomeação. Em 16 de outubro de 1978, logo depois de um novo cônclave, o Cardeal polonês Karol Wojtyla é eleito como o sucessor de São Pedro, quebrando a tradição de mais de 400 anos de escolher Papas de origem italiana. Em 22 de outubro de 1978 foi investido como Sumo Pontífice assumiu o nome de João Paulo II.

Fonte: ACIdigital

Confira mais:

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Peregrino Do Amor



Peregrino Do Amor
Anjos De Resgate
Composição: Dalvimar Gallo


Quanto já me emocionei ao ouvir a tua voz
Quanto já chorei ao ler o que escreveu a nós
Pregou com tua vida e fez a igreja assim crescer
O mundo deu perseguições e Deus te deu consolações
O teu amor embriagou o mundo
Que fez a tantos jovens mergulharem mais fundo

Refrão:És o Peregrino do Amor

Buscou os jovens com tanto ardor
Ninguem jamais andou por tantas terras
Nem levou a paz a tantas guerras
Tentaram até calar a tua voz
Em troca revelou o Céu a nós
Um Mendigo do meu Senhor
Por isso eu te sigoPeregrino do Amor
Olhando tua agonia só posso imaginar

Que a própria Virgem Maria veio te buscar
E com os anjos te levou ao mais lindo lugar
E todos os Santos lá estavam a te esperar
Foi por ter buscado a tantos jovens
Em tua páscoa a juventude veio a ti

Refrão
Tão grande era a força do teu bem
Que até os maus vieram e te buscaram também
És o Peregrino do AmorBuscou os jovens com tanto ardor

De tuas fraquezas não nos fez segredo
E deu a ordem pra não termos medo
A fé não está no corpo que se inclina
Mas está na alma do que crêEu creio que és o nosso intercessor
Por isso eu te sigo
Peregrino do Amor

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Palavras de João Paulo II ao entregar a Cruz do Ano Santo aos Jovens

Palavras de João Paulo II ao entregar a Cruz do Ano Santo aos Jovens

Domingo, 22 de abril de 1984


Queridíssimos jovens,

Ao terminar o Ano Santo

vos confio o sinal deste Ano Jubilar:

A Cruz de Cristo!

Levai [Cruz] pelo mundo como sinal

Amor de Nosso Senhor Jesus pela humanidade

e anunciai a todos

que só em Cristo Morto e Ressucitado

há salvação e redenção.



Traduzido do espanhol pelo editores deste blog.
Copyright © Libreria Editrice Vaticana

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Explicação da Jornada por João Paulo II

AO CARDEAL EDUARDO FRANCISCO PIRONIO
NA OCASIÃO DO SEMINÁRIO SOBRE AS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE
ORGANIZADO EM CZESTOCHOWA


Sua Eminência,


1. Foi com grande alegria que eu soube que o Conselho Pontifício para os Leigos tinha organizado no Santuário de Jasna Góra, Czestochowa, um seminário sobre as Jornadas Mundiais da Juventude.

Eu estou muito grato com essa iniciativa e não poderia deixar de oferecer uma palavra de encorajamento aos participantes, e também expressando minha apreciação grata por tudo que tem sido feito pelos jovens do mundo.

Primeiramente, como podemos deixar de agradecer a Deus pelos numerosos frutos produzidos pelas Jornadas Mundiais da Juventude em muitos níveis diferentes? O primeiro encontro ocorrido na Praça de São Pedro no Domingo de Ramos de 1986, começou uma tradição de encontros mundiais e diocesanos em anos alternados, sublinhando o indispensável comprometimento apostólico dos jovens, na dupla missão, local e universal.

As Jornadas nasceram de fato, também como uma resposta a uma iniciativa dos próprios jovens, de um desejo de oferecer a eles um significativo “tempo de pausa” na peregrinação contínua da fé, que é nutrida também pelos encontros com jovens de outras nações e pela partilha de suas respectivas experiências.

O principal objetivo das Jornadas é fazer a pessoa de Jesus o centro da fé e da vida de cada jovem para que Ele possa ser seu ponto de referência constante e também a inspiração para cada iniciativa e compromisso para a educação das novas gerações. Esse é o slogan de cada Jornada da Juventude, e através desta década, as Jornadas têm sido como um chamado ininterrupto e enfático para construir a fé e a vida sobre a rocha, que é Cristo.

2. Por isso os jovens são chamados periodicamente a fazer uma peregrinação por entre as ruas do mundo. Nos jovens a Igreja vê a si mesma e a sua missão à humanidade: com eles ela enfrenta os desafios do futuro, ciente que toda humanidade precisa ser rejuvenescida no Espírito. Essa peregrinação dos membros jovens dos povos constrói pontes de fraternidade e esperança entre continentes, povos e culturas. É uma jornada que está sempre em ação, como a vida, como a juventude.

Com o passar dos anos, as Jornadas Mundiais da Juventude provaram a si mesmas de não ser ritos convencionais, mas eventos providenciais, ocasiões para os jovens professarem e proclamarem a fé em Cristo com alegria ainda maior. Vindo juntos, eles são capazes de discutir suas aspirações mais íntimas, experimentar a Igreja como comunhão, fazer o compromisso para a tarefa urgente da nova evangelização. E fazendo isso, eles juntam as mãos, formando um imenso círculo de amizade, unindo na fé no Senhor Ressuscitado todas as diferentes raças e nações, culturas e experiências.

3. A Jornada Mundial da Juventude é a Jornada da Igreja para os jovens e com os jovens. Essa idéia não é uma alternativa à pastoral ordinária da juventude, freqüentemente realizada com grande sacrifício e abnegação. Na verdade, ela pretende consolidar esse trabalho oferecendo novos estímulos ao compromisso, objetivos que gerem maior envolvimento e participação. Buscando aumentar o fervor no apostolado entre os jovens, de maneira alguma a Igreja quer isola-los do resto da comunidade, mas sim torna-los protagonistas de um apostolado que contagie outras idades e situações de vida no âmbito da “nova evangelização”.

Os diferentes momentos de que a Jornada da Juventude é composta, formam um tipo de catequese prolongada, uma proclamação do caminho de conversão a Cristo, começando com as experiências e questões mais profundas da vida diária dos destinatários. A Palavra de Deus é o ponto central, a reflexão catequética é o método, a oração é o nutriente, e a comunicação e o diálogo, o estilo.

Uma Jornada da Juventude oferece ao jovem uma experiência viva de fé e comunhão, que o ajudará a enfrentar as questões profundas da vida e a assumir com responsabilidade o seu lugar na sociedade e na comunidade eclesial.

4. Durante esses inesquecíveis Encontros da Juventude, eu tenho freqüentemente me emocionado pelo amor alegre e espontâneo dos jovens por Deus e pela Igreja. Eles contam histórias sobre o sofrimento pelo Evangelho, de obstáculos aparentemente intransponíveis superados com a ajuda de Deus: eles falam de sua angústia ante um mundo atormentado pelo desespero, o cinismo e o conflito. Cada novo Encontro me leva a um desejo cada vez maior de louvar a Deus por ter revelado aos pequenos os segredos do Seu Reino (Mt 11,25).

A experiência das Jornadas é um convite a todos nós, Bispos e agentes de pastoral, a uma constante reflexão sobre nosso ministério com os jovens e a responsabilidade que nós temos de apresentá-los toda a verdade sobre Cristo e sua Igreja.

Como podemos deixar de interpretar sua participação massiva, entusiasta e desejosa, como uma constante demanda em ser acompanhados na peregrinação da fé, na jornada que eles realizam em resposta à graça de Deus trabalhando em seus corações?

Eles nos pedem para levá-los a Cristo, o único que tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6,68). Escutar os jovens e ensiná-los requer atenção, tempo e sabedoria. A pastoral da juventude é uma das prioridades da Igreja no limiar do terceiro milênio.

Com seu entusiasmo e sua energia exuberante, os jovens pedem para serem encorajados a serem “sujeitos ativos, protagonistas da evangelização e artífices da renovação social” (Christifideles laici). Desse modo os jovens, em quem a Igreja reconhece sua própria juventude como Esposa de Cristo (cf. Ef 5,22-33), não são somente evangelizados, eles também se tornam evangelizadores que levam o Evangelho a seus pares, mesmo àqueles que não conhecem a Igreja e que ainda não ouviram a Boa Nova.

5. Enquanto eu exorto todos os responsáveis pela pastoral da juventude a fazerem uso das Jornadas Mundiais da Juventude, com generosidade e criatividade ainda maior, em eventos que, inseridos no processo normal de educação na fé, talvez se tornem a manifestação privilegiada de toda atenção da Igreja pelas gerações jovens e sua confiança nelas, eu espero que o encontro em Czestochowa ajude e estimule a reflexão dos participantes para que eles possam descobrir meios novos e mais eficazes de propor a fé aos jovens.

Confiando o trabalho do Seminário à poderosa intercessão de Nossa Senhora de Jasna Gora, Mãe dos jovens, alegremente envio a ti, vossa eminência, a seus colaboradores, a todos participantes e a todos que eles representam e trazem em seus corações, minha especial Benção Apostólica.

Da Cidade do Vaticano, 8 de Maio de 1996

JOÃO PAULO II